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População ainda tem medo das estações de telefonia celular

Autor: Cláudio de Castro - Data: 07/02/2011

Pesquisas de opinião mostram que a instalação de torres de telefonia celular nos ambientes urbanos das cidades não é considerada pela população como um problema ambiental. Outras questões, como a poluição do ar, a falta de áreas verdes, o lixo nas ruas e a poluição sonora são muito mais percebidos pela população.

No entanto as pessoas tendem a considerar a instalação das antenas como uma atividade causadora de danos ambientais e por isso acreditam que deva ser precedida de autorização do órgão ambiental. Esta percepção é maior quanto maior for a proximidade do pesquisado de alguma estação, sendo prevalente em pessoas do sexo masculino, na faixa etária de 25 a 35 anos, com renda superior a 10 salários mínimos e com nível de escolaridade superior.
 
A percepção ambiental não está associada aos aspectos estéticos das torres de celular, pois a maioria da população entende que a falta de limpeza urbana e as pichações são muito mais degradadoras da paisagem visual.
 
Então, o que pode explicar essa percepção de que a instalação das torres pode causar danos? As pesquisas continuam apontando que, na opinião da população em geral, a radiação eletromagnética é a principal vilã. E quando questionadas, associam espontaneamente as radiações com as torres, as antenas e os aparelhos de telefonia celular.
 
Mais de 70 por cento da população - indicam as pesquisas, entende a necessidade das torres e antenas para o funcionamento do serviço de telefonia celular. Mas cerca de 50 por cento acredita que estas radiações podem trazer algum mal à saúde. Por isso é que, quando instadas a responder se são favoráveis à instalação de uma estação ao lado de sua residência, 55 por cento não hesitam em responder que são terminantemente contra.
 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde – OMS, a grande questão sobre a exposição aos campos eletromagnéticos é o desafio de diferenciar a percepção do risco da avaliação e gerenciamento dos riscos. Para isso, entende necessário o desenvolvimento de competências que resultem na transmissão do conhecimento científico a todas as partes interessadas no tema: a própria comunidade científica, a indústria do segmento, os juízes e advogados, os meios de comunicação, as associações de profissionais, de ecologistas e consumidores, os especialistas em saúde e a população em geral.
 
Isto por que a preocupação das pessoas, incluindo aquelas que residem nas proximidades das estações reflete apenas a percepção sobre o risco de exposição. Ao passo que as evidências científicas são baseadas na avaliação de risco. É justamente neste contexto das preocupações e das evidências que surgem as políticas destinadas ao gerenciamento dos riscos, através de normatizações e legislações sobre o assunto.
 
O problema é quando as legislações decorrem tão somente das pressões exercidas sobre o poder público pelas percepções de risco, sem que as evidências científicas sejam consideradas.
 
Muitas vezes a própria legislação ajuda a criar uma percepção de risco equivocada. Por exemplo, se for editada uma lei, determinando que as pessoas mantenham uma distância de 100 metros de um objeto, qualquer um irá concluir que este objeto deve trazer algum malefício. Então, neste caso, a política pública acaba sendo um catalisador da percepção de risco.
 
Na verdade, a esmagadora maioria das legislações que se propõem a disciplinar a instalação de estações de telefonia celular adota um determinado distanciamento entre estas e as residências do entorno. Algumas normas fixam distanciamentos razoáveis, que se justificam até por razões estéticas, mas outras chegam ao absurdo de proibir que as estações sejam instaladas na área urbana, o que torna inviável a prestação do serviço.
 
Embora a determinação de afastar as estações das residências seja um lugar-comum nas legislações que tratam do assunto, as evidências científicas têm mostrado que as pessoas estão mais expostas às radiações provenientes de seus aparelhos celulares do que daquelas provenientes das estações próximas às suas residências.
 
Para a OMS, “o balanço das evidências até o momento sugere que a exposição a campos RF de baixas intensidades (tais como aqueles emitidos por telefones móveis e por suas estações radiobase) não causa efeitos adversos à saúde”. 
 
Esta é a evidência científica atual que deve ser comunicada adequadamente às partes envolvidas. Os esforços de pesquisa devem continuar. Se houver um aumento da certeza de dano ou da severidade de prováveis danos, as políticas de precaução podem e devem ser alteradas, podendo chegar ao limite de se proibir determinadas atividades que sejam geradoras de campos eletromagnéticos. Mas, até o momento, não existem evidências científicas de que se devam tomar outras precauções além da fixação dos limites atuais de exposição.

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