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CPqD cria dispositivo para deficientes visuais

Fonte: Agencia - Data: 12/01/2012

O CPqD desenvolve, em parceria com o Centro de Prevenção à Cede Americana, uma aplicação destinada a facilitar o uso de dispositivos móveis por pessoas cegas ou com deficiências visuais. Batizada de VozMóvel, a solução utiliza a tecnologia de síntese de voz como base de novo modelo de interação do usuário com o celular dotado de tela sensível ao toque (touch screen).

Segundo o pesquisador e coordenador do projeto VozMóvel do CPqD, Claudinei Martins, a pesquisa aplicada teve início em junho de 2010 e conta com recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel) administrados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). "Foram várias pesquisas que culminaram nessa aplicação. Fomos entrevistar os potenciais usuários, identificamos quais são as necessidades deles. Estudamos junto com eles a melhor forma de pesquisar a informação para que eles, sem a visão, pudessem usufruir das funcionalidades do telefone celular", lembra.
 
Claudinei Martins disse que identificados os elementos da pesquisa o departamento de tecnologia de serviços do CPqD passou a desenvolver um trabalho pesado chamado de embarcar a tecnologia de síntese de fala.
 
"Hoje síntese de fala é uma tecnologia bastante consolidada. O CPqD tem também o CPqD texto fala, só que hoje muito disseminada em desktops e servidores. Para rodar isso num dispositivo embarcado em smartphones você tem que fazer uma série de otimizações, tanto no algoritmo que processa a informação para transformar em voz, tanto na base de dados de voz, que tende em alguns casos a ser bastante grande", explica.
 
Martins destacou que quando se fala com dispositivos embarcados, no caso dos smartphones e celulares, há uma capacidade restrita de processamento e de memória, ocorrendo a necessidade de se adequar esses aparelhos em seus algoritmos e bases de dados para que funcionem com a mesma qualidade e com um tempo de resposta adequado para que as pessoas consigam interagir com os dispositivos que culminou no projeto VozMóvel. Com o modelo desenvolvido pelo CPqD, a tela do aparelho é dividida em seis quadrantes (áreas), correspondentes às principais funções do celular como realização de chamadas, histórico de ligações, contatos, mensagens de texto (SMS), nível de sinal e de bateria e data/hora.
 
"A escolha dessas funções baseia-se em pesquisa realizada junto aos próprios deficientes visuais. A pesquisa de interface foi uma das coisas importantes e inovadoras do processo. Nós, como usuários de telefones celulares não temos a dificuldade da visão, então ter muitos aplicativos numa mesma tela não representa um problema, no entanto, uma pessoa cega ou com baixa visão é difícil para ela se posicionar naquele mundo de aplicações que tem num dispositivo móvel. Com isso padronizamos a tela com apenas seis aplicações por página", explica.
 
A tela está dividida em seis quadrantes e foram pesquisadas de forma a facilitar a vida do usuário que tem dificuldades de enxergar, sendo duas na parte superior esquerda e direita, duas no meio esquerda e direita e duas na parte inferior esquerda e direita tendo uma referência física para as lateralidades do aparelho celular ou smartphone. Na medida em que a pessoa toca ou desliza o dedo sobre a tela touch screen do celular, uma voz sintetizada informa a função correspondente àquela área. Com mais um toque, ela tem acesso à função. E, se essa função envolver uma informação, como o nível da bateria do aparelho ou uma mensagem de texto recebida, ela também é transmitida por meio do recurso de síntese de voz que utiliza a tecnologia CPqD Texto Fala.
 
"A grande vantagem desse modelo é que ele sempre se apresenta da mesma forma, ou seja, o usuário aprendeu uma vez aprendeu para qualquer aplicação. Esse eu acho que é o grande ganho, essa simplificação operacional", destaca.

A primeira versão do VozMóvel, desenvolvida para o sistema operacional Android, passará por um teste de campo em fevereiro, envolvendo um grupo de pessoas atendidas pelo Centro de Prevenção à Cegueira, em Americana. O objetivo é avaliar o uso desse novo modelo de interação no dia a dia das pessoas e realizar as adequações necessárias. A expectativa é que no segundo semestre de 2012 o projeto já concluído seja apresentado às operadoras de telefonia e às empresas fabricantes de aparelhos celulares e smartphones.

Claudinei Martins avalia que o sistema pode beneficiar outros públicos, além das pessoas cegas ou com baixa visão. "A gente acredita que idosos podem ser futuros usuários, pela dificuldade com tecnologia, analfabetos, pois o sistema lê as telas e até mesmo crianças que ainda não aprenderam a ler, aumentando bastante o público alvo da aplicação", diz.

Segundo ele, o foco principal da aplicação são as mais de 6,5 milhões de pessoas cegas ou com grande dificuldade permanente de enxergar existentes no Brasil, de acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Claudinei Martins disse que a expectativa no Centro de Prevenção à Cegueira é muito grande, pois as pessoas atendidas no local estão ansiosas para desfrutar dessa tecnologia. "As necessidades básicas desse público consistem em fazer e receber chamadas, trabalhar com histórico de ligações recebidas, efetuadas e perdidas, cadastrar seus contatos telefônicos, pois hoje o deficiente visual depende muito da memória dele, pois a maioria só recebe ligações.

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